Promessas do berço e medos no leito de morte
- Matt Miller
- 13 de dez. de 2025
- 5 min de leitura
Fui entregue a Deus antes mesmo de ter a chance de protestar.
Antes que eu pudesse falar.
Antes que eu pudesse escolher.
Antes que eu entendesse o que estava sendo prometido em meu nome.
Disseram-me que minha mãe orou por mim quando eu era bebê — não com qualquer senso de drama ou destino — apenas com uma confiança silenciosa de que Deus poderia ter a minha vida. Ela não poderia saber aonde aquela oração a levaria. Ela não poderia imaginar o quão longe de casa ela me levaria.
Naquela época, era uma promessa feita desde o berço.
Anos mais tarde, isso se chocaria com o medo da morte.
A maioria das histórias de fé são contadas de trás para frente. Começamos com o significado e seguimos em direção à memória. Mas quando as vivenciamos de frente para trás, a fé não parece nobre ou clara. Parece que nos entregaram algo sem consentimento — como estar preso a decisões que não tomamos completamente, mas que ainda assim precisamos cumprir.
Eu não cresci chamando isso de fé.
Cresci me perguntando se aquilo era uma questão de permissão.
“Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos.” — Hebreus 11:1

Hebreus 11 não começa com explicações. Começa com ação. Com pessoas agindo antes de entenderem o preço que a obediência lhes custará. A fé, diz a Escritura, é substância — algo sólido sob os pés enquanto tudo o que está por vir permanece invisível.
Eu vi esse tipo de fé antes mesmo de ter palavras para descrevê-la.
Meu pai vendeu nossa fazenda em Ohio — tudo o que era familiar, tudo o que estava enraizado — e mudou-se com a família para o Missouri para recomeçar do zero. Não havia garantias nos esperando lá. Nenhuma rede de segurança. Apenas a convicção de que era a hora.
Esse tipo de fé não se anuncia.
Carrega caminhões.
Ela embala caixas.
Isso afasta a pessoa sabendo que você pode estar errado — mas acreditando que você deve obedecer de qualquer maneira.
Na fazenda, a fé parecia algo comum. Era repetitiva. Quase entediante.
Você plantou quando o calendário indicava a época de plantio.
Você esperou quando o terreno ainda não estava pronto.
Você confiou em Deus para trazer chuva e sol porque não havia mais nada que você pudesse fazer.
Ninguém chamou isso de fé.
Era apenas a vida.
Mas Hebreus 11 está cheio de pessoas assim — homens e mulheres que agiram como se Deus estivesse dizendo a verdade antes mesmo de terem provas de que Ele cumpriria Sua promessa. Eles agiram. Eles esperaram. Eles obedeceram. Não porque os resultados fossem garantidos, mas porque a obediência importava mais do que a certeza.
A fé fazia sentido para mim quando as colheitas dependiam da chuva.
Fazia muito menos sentido quando eu estava deitado no chão.
Um tiro foi disparado.
Uma bala calibre .224 me atravessou, logo abaixo do peito.
Não houve coragem naquele momento.
Sem rendição pacífica.
Nenhuma oração composta.
Havia medo.
Cru.
Físico.
Muito pesado.
O medo não é poético. Não pede permissão. Preenche cada canto da sua mente e não deixa espaço para a teologia.
O que mais me marcou não foi a coragem.
É meu pai parado sobre mim — mangueiras conectadas, o sangue — inclinando-se para perto e dizendo palavras que ainda pesam no meu peito:
“Filho, passei a vida inteira te preparando para este dia.”
Ele não sabia se eu sobreviveria.
Nem eu.
Naquele momento, fé não parecia crença.
Era como estar contida dentro de algo maior do que minha compreensão — quer eu quisesse ou não.
Hebreus 11 nunca diz que a fé elimina o medo.
Mostra pessoas agindo através disso.
Às vezes, a fé parece decisiva.
Às vezes parece uma questão de sobrevivência.
Anos mais tarde, a fé me pediu algo diferente.
Não resistência, mas rendição.
Um relacionamento de cinco anos chegou ao fim. Não por causa de traição. Não por causa de drama. Mas porque percebemos que nossos caminhos espirituais não estavam alinhados.
Esse tipo de final não explode.
Desvanece.
Sem vilão.
Sem gritar.
Apenas o lento reconhecimento de que o amor sozinho não pode levar duas pessoas em direções opostas.
A pergunta que se seguiu persistiu por mais tempo do que o próprio relacionamento:
Devo pegar o que quero — ou confiar que Deus tem algo diferente preparado?
Hebreus 11 chama isso de obediência sem recompensa. É se afastar sem saber para onde se está caminhando. É escolher a fé não porque parece segura, mas porque a desobediência parece mais pesada.
Fé nem sempre significa dar um passo à frente.
Às vezes significa deixar ir.
E então, inesperadamente, a fé se transformou em um convite.
Conhecer a mulher que se tornaria minha esposa não foi uma experiência de certeza. Foi uma experiência carregada de peso. De responsabilidade. De perguntas que eu não conseguia responder.
Será que ela confiaria em Deus o suficiente para me seguir rumo ao desconhecido?
Em todo o mundo.
Em culturas desconhecidas.
Sem palavras.
Sem apoio familiar.
Sem qualquer garantia de que eu pudesse prover tudo o que se espera de um marido.
Eu não sabia como iríamos viver.
Eu não sabia como iríamos criar uma família.
Eu não sabia como conseguiria suprir todas as necessidades.
Eu só sabia isto:
Cristo a havia preparado — e Ele nos estava pedindo para caminharmos juntos.
É aqui que Hebreus 11 começa a ficar desconfortável.
Porque fé não é admiração.
É movimento.
“Pela fé Abraão obedeceu e saiu, sem saber para onde ia.” — Hebreus 11:8
Sem mapa.
Sem previsão de término.
Sem provas.
Apenas obediência.
Então, o que é fé?
Não se trata de confiança nos resultados.
Não se trata de certeza emocional.
Não é bravura.
Fé é confiar no caráter de Deus quando o futuro é incerto.
É escolher a obediência sem clareza.
Movimento sem visibilidade.
Rendição sem explicações.
A fé reside entre as promessas do berço e os temores do leito de morte.
Aquele espaço é desconfortável.
Sozinho.
Frequentemente mal compreendido.
Mas é exatamente aí que Deus sempre atuou.
Hebreus 11 termina de uma forma que parece quase injusta. Depois de toda a obediência, todo o sacrifício, toda a mobilização — diz que eles não receberam a promessa.
Ainda não.
Algo melhor foi preparado.
A fé não exige uma resolução imediata.
Está à espera.
Silenciosamente.
Teimosamente.
Fielmente.
Se você se encontrar nesse espaço — entre o que Deus disse e o que você consegue ver — você não está falhando.
Você não está atrasado.
Você não é fraco.
Você está exatamente onde a fé reside.
E Cristo também está lá.
Não estou pedindo que você entenda.
Não estou pedindo que você se sinta corajoso(a).
Peço apenas que confie Nele o suficiente para dar o próximo passo.



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