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A Bicicleta Branca na Esquina

“Na esquina, perto da nossa casa, há uma bicicleta branca presa a um poste…”

Você não percebe a menos que realmente esteja olhando.

E mesmo quando percebe, leva um instante para o coração entender por que ela está ali.

Mas, uma vez que entende… nunca mais esquece.


No começo, eu também não entendia.

Passei várias vezes de bicicleta por aquele canto — apenas um lampejo branco no canto dos olhos.

Mas, certa tarde, diminuí a velocidade… e vi uma pequena vela acesa sob o quadro — uma luz silenciosa, uma lembrança que alguém não queria que a cidade apagasse.


E então caiu a ficha:

algo trágico aconteceu ali.


Essa simples percepção me desacelerou — não só fisicamente, mas espiritualmente.

Comecei a pensar sobre a linha fina entre um dia comum… e a eternidade.

Entre um simples passeio de bicicleta… e o momento em que uma alma atravessa para o além.



Uma conversa que ainda não aconteceu… mas vive dentro de mim



Há alguns fins de semana, encontrei um amigo que não via há muito tempo. Nada profundo — só duas pessoas colocando a conversa em dia. Ele comentou sobre a cultura ciclística da cidade: as ciclovias, os grupos, as pessoas por toda parte.


E, sem planejar, mencionei a bicicleta branca na esquina.


Ele nunca tinha visto.

E perguntou — quase casualmente — por que alguém pintaria uma bicicleta toda de branco e a prenderia a um poste.


Contei que eu mesmo havia pensado isso… até ver a vela acesa sob o quadro.


Ele ficou em silêncio.

“Então… alguém morreu ali?”


“É o que parece,” respondi baixinho.


E algo se abriu dentro de mim.

As palavras simplesmente saíram.


“Sabe… eu sou muito grato por 1 João 5:13.”

Ele me olhou. “O que diz esse versículo?”


E ali estava eu — num momento totalmente comum, mas com a chance de falar sobre a certeza eterna.


Expliquei que João falava sobre a possibilidade de saber — realmente saber — o que acontece no instante em que a vida termina.

E acrescentei: “Eu não consigo imaginar viver — ou pedalar — pensando que cada passeio pode terminar em um destino sobre o qual eu não sei absolutamente nada.”


Não fomos além.

Não apresentei o “Caminho de Romanos.”

Não houve oração.

Não houve pressão.


Apenas uma semente.

Pequena.

Suave.

Mas real.


E aqui está a verdade:

essa conversa com meu amigo Bojan ainda não aconteceu.

Não na vida real.


Mas dentro de mim… ela já existe.

E já me prepara.


Às vezes, conversas imaginadas preparam o nosso coração para as conversas reais que Deus vai trazer.

Momentos assim — mesmo que vivam apenas em nossa mente — podem se tornar instrumentos que Deus usa para guiar suavemente alguém em direção a Cristo.




O ministério que carregamos sem perceber



Cada vez que passo por aquela bicicleta branca, sinto o peso do que ela representa.

Não apenas a dor de uma vida perdida… mas a urgência de cada alma ao nosso redor.


Paulo escreve que Deus nos deu “o ministério da reconciliação” (2 Coríntios 5).

Essas palavras sempre me tocam profundamente.


Deus confiou a pessoas comuns — a mim, a você — a mensagem que pode trazer alguém de volta a Ele.


Não somos espectadores.

Não somos voluntários eventuais.

Não somos apenas observadores.


Somos embaixadores.


E, quanto mais vivo, mais percebo que a maior parte desse ministério não acontece em púlpitos, mas nos entrelugares da vida:

nas esquinas, nos cafés, nas filas do mercado, nas caminhadas, nas conversas que parecem triviais… mas não são.


E entendi algo mais — algo que poucos cristãos comentam:


A maioria das pessoas não chega a Cristo por meio de uma única conversa.
Quase nunca é um caminho direto.

É uma longa estrada de pequenos empurrões.

Memórias.

Perguntas.

Histórias.

Sementes silenciosas.

Um coração que aos poucos se amolece.


E um dia — às vezes anos depois — Romanos 10:13 ganha vida:

“Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.”


Mas, antes desse clamor, houve dezenas de pequenos toques da graça de Deus.


Nós não empurramos as pessoas até a linha de chegada.

Nós caminhamos ao lado delas.


Acompanhamos.

Oramos.

Falamos quando o Espírito nos impulsiona.

Confiamos a Deus a distância entre a semeadura e a colheita.




O que realmente significa estar preparado



Pedro escreve: “estejam sempre preparados para responder.”

Antes, eu achava que isso significava ter cada versículo memorizado.


Hoje vejo diferente:


  • Estar preparado é levar um folheto no bolso.

  • É guardar no coração cinco verdades simples: Deus ama… todos pecamos… o pecado tem um preço… Cristo pagou… qualquer um pode invocá-Lo.

  • É praticar o evangelho com um amigo para que o medo não paralise a língua.

  • É orar diariamente: “Senhor, dá-me uma pessoa hoje.”



Mas, acima de tudo, estar preparado é isto:


Ver a pessoa diante de você como alguém que Deus colocou no seu caminho de propósito.

Deus é jardineiro.

Ele planta.

Ele rega.

Ele prepara o solo muito antes de chegarmos.


Algumas sementes brotam rápido.

A maioria não.


Mas nenhuma é esquecida por Ele.




O que essa bicicleta branca continua me ensinando



Aquela bicicleta — aquele simples perfil branco contra um poste escuro — virou minha professora silenciosa.


Ela me lembra que a vida é frágil.

Que a eternidade é real.

Que Deus usa momentos comuns para preparar conversas extraordinárias.


Ela me lembra que cada encontro humano tem peso eterno.


Cada pergunta.

Cada comentário sincero.

Cada pequeno gesto.

Cada folheto entregue.

Cada oração por alguém que ainda não está pronto.


Nada se perde.

Nada é pequeno demais.

Nada Deus ignora.


Quanto mais contemplo aquela bicicleta — às vezes de longe, às vezes ao passar ao lado — mais percebo: Deus não me chama apenas para falar quando o momento chegar, mas para viver preparado para esse momento.


Ser alguém que Deus pode interromper.

Alguém que Ele pode usar.

Alguém que percebe as pessoas.

Alguém que está — pronto.




Um final suave, sincero



Então vamos estar preparados —

para a bicicleta branca na esquina,

para os momentos em que Deus nos impulsiona a falar,

e para a realidade de que um dia pode ser a minha bicicleta… ou a sua.


De qualquer forma —


esteja preparado para falar,

e preparado para ir.

Deus sempre nos chama para ambos.



 
 
 

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