Desejando as sombras
- Matt Miller

- 6 de dez. de 2025
- 5 min de leitura
Nunca pensei que sentiria falta dos meus tempos na construção civil, mas às vezes sinto.
Havia uma certa paz naquelas noites em que o sol se punha, as ferramentas batiam na carroceria da caminhonete e eu sabia que o dia havia terminado. O trabalho ficava no trabalho. A vida era simples. Previsível. Controlável.
Não envie mensagens tarde da noite.
Nenhuma família aguardando atendimento jurídico.
Nenhuma pilha de pendências ministeriais que me siga para casa.
Naquela época, eu vivia para mim mesmo — ganhar dinheiro, fazer meu trabalho, aproveitar meu tempo. E em momentos de pressão hoje em dia, essa vida pode parecer estranhamente atraente. Há dias em que o peso do ministério parece pesado e a velha vida sussurra:
“Era mais fácil naquela época. Volte.”

Mas quanto mais caminho com Cristo, mais reconheço uma verdade mais profunda:
Aqueles anos não foram de felicidade — foram de preparação.
Deus estava me moldando naqueles canteiros de obras muito antes de eu sequer começar o trabalho missionário. O ritmo, as responsabilidades, até mesmo a simplicidade — tudo isso estava formando o homem que mais tarde carregaria muito mais do que madeira e ferramentas. Aqueles anos foram a sala de aula, não o chamado.
Ainda assim, a tentação de voltar surge. Principalmente nas noites em que as expectativas pressionam por todos os lados, quando as conversas ficam inacabadas, quando o cansaço se instala nos ossos. E é nesses momentos que percebo algo:
Não sou o primeiro crente a sentir essa força retrógrada.
Os primeiros judeus cristãos também sentiram isso. Sua antiga vida — rituais do Templo, sacrifícios, rotinas familiares — parecia segura e previsível. Seguir a Cristo era custoso, desconhecido e, às vezes, assustador. E é por isso que Hebreus 10 fala tão diretamente a corações cansados como o meu.
Quando as sombras parecem mais seguras do que a substância
O autor começa com um lembrete destinado a acalmar os crentes desanimados:
A lei era apenas um prenúncio de coisas melhores que estavam por vir.
Uma sombra sugere a realidade, mas não é a coisa em si. Ninguém escolhe a sombra do pão quando está com fome. Ninguém fica dentro do contorno de uma casa quando precisa de abrigo.
No entanto, corações desanimados muitas vezes se voltam para aquilo que lhes parece familiar — mesmo que lhe falte vida.
O versículo 4 explica o problema claramente:
“Não é possível que o sangue de touros e de bodes tire os pecados.”
O sistema antigo não estava quebrado — estava incompleto. Podia revelar o pecado, mas não removê-lo. Podia apontar para a salvação, mas não a prover.
Em seguida, o versículo 9 apresenta uma das declarações mais importantes das Escrituras a respeito das duas alianças:
“Ele tira o primeiro para estabelecer o segundo.”
A primeira aliança foi temporária por desígnio. A segunda — a aliança de Cristo — é permanente, completa e está gravada no coração. Os versículos 16-17 citam Jeremias:
“Porei as minhas leis nos seus corações… e dos seus pecados e iniquidades não me lembrarei mais.”
Isso não é trabalho de sombra.
Isto é um trabalho feito com o coração.
Esta é a obra de Cristo.
E então lemos que Cristo se sentou — um detalhe fácil de passar despercebido. Os sacerdotes nunca se sentavam porque seu trabalho nunca terminava. Mas Jesus se sentou porque Sua obra estava concluída. O caminho para a presença de Deus estava aberto — não com medo, mas com confiança.
Os crentes em Hebreus estavam se desviando do caminho porque deixavam a emoção se sobrepor à verdade. Estavam se inclinando para o que lhes parecia seguro em vez do que era real.
Assim como faço quando o ministério fica pesado e a vida antiga me chama.
O que Hebreus 10 nos ensina a fazer
Como a obra de Cristo está consumada, Hebreus nos chama a quatro respostas vitais:
1. Aproximar-se
Não recue por desânimo nem se esconda quando estiver cansado.
Dê um passo em direção a Cristo com honestidade.
Ele abriu o caminho — siga por ele.
2. Mantenha-se firme
Nossos sentimentos mudam. Nossa força se esvai.
Mas a verdade permanece.
Apegue-se ao que Cristo fez, não ao que você sente no momento.
3. Considerem uns aos outros
A fé nunca foi feita para ser vivida sozinha.
A esperança cresce na comunidade.
A perseverança cresce lado a lado com outros crentes.
4. Não abandone a montagem
Alguns dos primeiros cristãos já haviam se afastado da prática de se reunir. Hoje em dia, soa como:
“Eu consigo lidar com a fé por conta própria.”
“Eu não preciso da igreja.”
“Eu adoro a Deus à minha maneira.”
Mas as Escrituras são claras:
Precisamos uns dos outros.
O isolamento enfraquece o que a convivência fortalece.
Um aviso que na verdade é misericórdia.
Hebreus 10 contém uma advertência séria — não para assustar os cristãos, mas para despertá-los:
“É terrível cair nas mãos do Deus vivo.”
Isso não representa uma ameaça à salvação do crente.
É um lembrete de que não há vida atrás de nós .
A vida antiga não pode dar o que só Cristo proporciona.
O aviso é misericórdia — a maneira de Deus nos trazer de volta à essência quando começamos a nos desviar para as sombras.
Encorajamento para crentes cansados
Em seguida, o capítulo se encerra com uma verdade crucial:
“O justo viverá pela fé.”
A fé não retrocede aos velhos hábitos ou aos antigos confortos.
A fé não diminui quando as estações parecem difíceis.
A fé não escolhe a sombra quando a substância se apresenta diante de nós.
E então o escritor acrescenta:
“Não somos daqueles que recuam.”
Esta é a linguagem da identidade.
Esta é a linguagem de Cristo em você.
Esta é a pessoa que você é agora.
Voltar atrás não faz parte da sua história.
Retirar-se não é a sua vocação.
Você foi renovado(a).
Onde isso nos encontra hoje
Não nos sentimos tentados a retornar aos rituais do Templo, mas sim a retornar a:
antigos medos
padrões antigos
confortos antigos
versões antigas de nós mesmos, onde pouco era exigido.
Para mim, é a vida das nove às cinco, onde o dia terminava quando eu largava minhas ferramentas. Mas tudo o que ficou para trás foi preparação, não um propósito. E tudo o que está à minha frente é obra de Deus em mim, não um fardo, mas um chamado.
Hebreus nos lembra:
Escolha a substância em vez da sombra.
A verdade acima da emoção.
Cristo acima do conforto.
Um momento para assimilar tudo isso
Respire fundo e deixe essa verdade repousar em seu coração:
Cristo terminou a obra.
Você não precisa voltar.
Você não caminha para a frente sozinho.
Você pode se manter firme, porque Ele te segura.
Maneiras práticas de se manter firme
Quando estiver desanimado, aproxime-se.
Deus acolhe a honestidade.
Quando estiver cansado, aguente firme.
Uma frágil resistência ainda se mantém mesmo diante de um Salvador forte.
Quando estiverem à deriva, reúnam-se novamente.
Retorne à comunhão e deixe que outros o fortaleçam.
Quando a vida antiga chamar — fale a verdade.
“Isso foi preparação, não propósito.”
Quando o medo surgir, lembre-se de que Cristo se assentou.
O trabalho está concluído. Sua esperança está segura.
Cristo terminou a obra.
Ele abriu o caminho.
Ele guarda a sua vida com fidelidade inabalável.
Portanto, não se isole.
Não se esconda nas sombras.
Não abandone a sua confiança.
Não volte.
Apegue-se a Cristo.
Ele está melhor.
Ele é suficiente.
Que não sejamos culpados de desejar as sombras...



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